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O crime mudou de alvo. A sua apólice de carga acompanhou?

  • Foto do escritor: Renan Batista
    Renan Batista
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura

Durante anos, as quadrilhas de roubo de carga operaram na lógica do volume: cigarros, alimentos, eletrônicos de grande porte. Carga fácil, rápida de escoar, difícil de rastrear. Esse modelo funcionou por décadas. No primeiro trimestre de 2026, os dados mostram que ele está sendo trocado por outro.

O foco dos criminosos não é mais o volume. É o valor da carga e sua liquidez. E os números confirmam a mudança: 40,4% dos prejuízos registrados no trimestre envolveram cargas avaliadas em mais de R$ 1 milhão. O alvo principal dessa faixa foi o setor farmacêutico, que saltou de 1,7% dos prejuízos no primeiro trimestre de 2025 para 22,3% no mesmo período de 2026.

O roubo de cigarros, por outro lado, despencou de 34,1% para apenas 3,7% no mesmo comparativo. Não é coincidência. É uma migração deliberada para mercadorias de maior valor unitário e mais fáceis de revender no mercado paralelo: medicamentos de alta complexidade, canetas emagrecedoras, eletrônicos especializados.

A geografia também mudou. O Sudeste voltou a concentrar a maior parte dos prejuízos nacionais, saltando de 61% no primeiro trimestre de 2025 para 78,2% no mesmo período de 2026. Para quem opera no eixo SP-RJ, isso não é estatística distante. A rota SP >> SP concentrou 20,5% das ocorrências em março, seguida por MG >> SP com 12,3%. São Paulo, maior polo industrial e consumidor do país, permanece no centro do mapa de risco.

Outro detalhe revelador: o domingo, que em anos anteriores representava mais de 10% dos prejuízos, caiu para apenas 1,4% no primeiro trimestre de 2026. Ou seja, as quadrilhas estão estudando os fluxos operacionais das transportadoras e ajustando os ataques para os momentos de maior vulnerabilidade logística. O crime ficou mais sofisticado, mais seletivo e mais difícil de prever.

O que isso muda na prática para uma transportadora? Tudo, dependendo do que ela carrega. Uma operação que nunca esteve no radar das quadrilhas pode ter entrado nele agora. O perfil de risco de hoje não é o mesmo de dois anos atrás, e uma apólice calibrada para o risco de dois anos atrás pode não cobrir o risco atual da forma correta.

Roubo de carga não é um risco genérico. É um risco específico, que muda conforme a mercadoria, a rota e o perfil da operação. A apólice precisa acompanhar essa evolução. Se a última revisão foi há mais de um ano, vale a pena fazer uma nova leitura antes que o mapa de risco mude de novo. Fonte: https://logweb.com.br/roubo-de-cargas-medicamentos-seguranca-logistica-2026/

 
 
 

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