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O crime virou especialista. A sua apólice acompanhou?

  • Foto do escritor: Renan Batista
    Renan Batista
  • 2 de jun.
  • 2 min de leitura

O crime deixou de priorizar volume e passou a mirar valor e liquidez. O dado que resume essa mudança vem do relatório da nstech sobre o primeiro trimestre de 2026: os prejuízos envolvendo medicamentos saltaram de 1,7% no primeiro trimestre de 2025 para 22,3% no mesmo período de 2026.

Não é coincidência. Medicamento de alto custo tem valor unitário elevado, é fácil de revender e difícil de rastrear depois que some. O roubo de cigarros, que historicamente liderava as estatísticas, despencou de 34,1% para apenas 3,7% no comparativo entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026. As quadrilhas não sumiram. Mudaram de alvo.

A mudança não é só no tipo de carga. É na forma de operar. As abordagens, antes concentradas em rodovias, agora ocorrem com mais frequência nas proximidades de centros de distribuição, indicando maior planejamento e inteligência por parte das quadrilhas. Elas estão estudando a operação logística das empresas. Sabem quando o caminhão sai, por onde passa e onde está mais vulnerável.

Para quem transporta carga farmacêutica, cosmética ou qualquer produto de alto valor agregado, isso tem uma implicação direta. O perfil de risco da operação mudou. Uma apólice calibrada para o cenário de dois anos atrás pode não refletir o risco de hoje: nem em valor declarado por embarque, nem nas exigências de gerenciamento que a seguradora impõe como condição de cobertura.

40,4% dos prejuízos do trimestre envolveram cargas avaliadas em mais de R$ 1 milhão. Dentro desse grupo, quase metade estava ligada ao setor farmacêutico. Não é uma tendência emergente. É o novo padrão.

Roubo de carga nunca foi risco genérico. Mas agora ele é também altamente seletivo, executado por organizações que conhecem o mercado melhor do que muitos segurados conhecem a própria apólice.


 
 
 

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