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O reajuste do plano de saúde que a ANS não controla, mas afeta a maioria dos brasileiros

  • Foto do escritor: Renan Batista
    Renan Batista
  • 8 de jun.
  • 2 min de leitura

Todo ano, quando a ANS divulga o índice de reajuste dos planos de saúde, o número circula nos jornais como se valesse para todo mundo. Em 2025, o teto definido foi de 6,06%. Em 2026, a expectativa é que fique em patamar parecido. O problema é que esse índice vale apenas para planos individuais e familiares, que representam cerca de 16,4% do total de 52 milhões de pessoas com plano de saúde no Brasil. Os outros 83,6% estão em planos coletivos, onde o reajuste é livre.

Ou seja: a grande maioria dos beneficiários não tem teto. Tem negociação.

Nos contratos coletivos, empresariais e por adesão, as operadoras costumam justificar o aumento com base em custos assistenciais, variação da inflação médica, despesas administrativas e índices de utilização do grupo segurado. Na prática, o reajuste chega com uma carta técnica que poucos conseguem questionar — e a maioria das empresas simplesmente repassa o aumento para o colaborador ou absorve no caixa sem entender se o número faz sentido.

Em 2026, o consumidor deve ficar atento também aos efeitos da reforma tributária, que podem ser usados como argumento para elevar o valor das mensalidades. Esse tipo de justificativa não é necessariamente abusiva, mas exige atenção. A ANS exige que o reajuste seja justificado tecnicamente, com transparência e coerência atuarial. A ausência desses elementos pode configurar aumento abusivo.

Tem ainda uma camada que pouca gente calcula: o reajuste por faixa etária. A ANS define 10 faixas etárias, e a cada mudança de faixa, a mensalidade sobe. O impacto acumulado é significativo: pela regulamentação, o valor da última faixa pode ser até 6 vezes maior que o valor da primeira. E o salto mais pesado costuma acontecer justamente nas faixas mais altas, quando a pessoa mais precisa do plano.

Esse reajuste etário acontece de forma silenciosa, muitas vezes sem aviso claro, e se soma ao reajuste anual do contrato. Para quem tem funcionários mais velhos em um plano coletivo, o custo pode crescer de forma expressiva de um ano para o outro sem que ninguém tenha mudado nada na operação.

O que fazer diante disso? O maior erro é renovar automaticamente. Todo ano, antes do mês de aniversário do contrato, vale solicitar cotações de outras operadoras. O mercado muda: tabelas novas surgem, operadoras entram e saem de regiões, redes credenciadas se ampliam ou encolhem. A melhor opção de 2024 pode não ser a melhor de 2026.

Plano de saúde não é um contrato que se assina uma vez e esquece. É um produto que precisa ser revisado com a mesma frequência com que o custo dele aparece no bolso.

 
 
 

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